O que há de tão divino e eterno
que me prende ao chão,
na entrada da gruta
que se abre como um janelão
e sugere que entre para provar
que há vida na escuridão!?
Vejo, na abertura que se oferece,
um reflexo aquoso
que revela parte do que há para dentro,
um som de paz, angústia,
memória oculta e solidão.
Dois passos, talvez mais,
nem percebo o chão de travertinos espalhados,
porosidade sob meus pés,
umidade abafada e brisa quente.
Um cheiro de abandono
e me sinto pequeno.
Dói saber que mais além
há um incógnito destino,
o desconhecido aguarda
de boca escancarada,
um medo se anuncia
com a emoção de reviver
os tempos rochosos
dessa terra feita para arar.
Desconheço que as horas passam;
o relógio geológico é mais lento,
nele há apenas eras
por nós maculadas,
tudo que traz o vento,
tudo que faz do tempo sedimento.
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