É o tempo que se faz presente,
com seu ar a tudo indiferente.
É dele o olhar que me ensinou
andar ao largo de quem me olha,
displicentemente.
Se a flor chora no vaso
em que foi posta contra vontade,
enxerga o tempo o passado como presente
e desloca o sentimento da mesma flor
ao momento em que estava, do caule, pendente.
Quando um fato arrancou de mim a primeira amada,
que mantenho eterna em memória sorridente,
congelou aquele momento em meu rosto
e, atualmente, sou eu, dos filhos,
quem a mantém a olhos alheios sempre presente.
Não de hoje, essa saudade se transporta à solidão
que trago todas as noites como amuleto,
faz chorar em silêncio
e amar ainda mais ternamente
aquela de quem sou fruto e semente.
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