Quando me lembro da cidade
que deixei extraviar na infância,
muito diferente desta em que vivo agora,
quando penso nas casas e nos prédios de outrora,
em que nossa juventude violou regras às escuras,
como não fazemos mais,
é do tempo e suas estruturas
ou de nós, de mim,
que me lembro perdido agora?
Tanta coisa que não há mais,
que o tempo da cidade corta e abandona,
com que nos surpreendemos
em recordações guardadas em porta-retratos
e em quadros na parede,
como a fumaça do cigarro,
o líquido nos copos,
tudo nos lançando
às partes baixas de Belo Horizonte,
com somente fração de sua gente,
que com o luar não se recolhe.
Somos nós que andamos
por essas ruas fatigadas,
com pernas indispostas a mais um dia
que não dispensamos de viver,
como a recordar quem fomos,
eu e você ao som dos ventos,
na sensação do frio de junho
e de redemoinhos nas esquinas agudas de agosto,
alegres apenas por ser um para o outro.
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