Por Juscelino Kubitschek

Pronunciamento em 13 de agosto de 2026

No próximo dia 22 o Brasil fará um minuto de silêncio em homenagem àquele que foi, seguramente, nosso mais querido presidente da República: Juscelino Kubitschek. Afinal, 50 anos se passaram de sua morte, fato envolto em especulações e mistérios, questionamentos da Operação Condor, suspeitas e profunda tristeza cívica. Quem viveu, como eu vivi, aqueles tempos, não tem como se esquecer. Quem viveu os 50 anos em 5, como meus pais viveram, transmitiu aos filhos a admiração pelo homem que encarnou o sonho brasileiro de ser e de estar no cenário das nações. Quem o viu nascer para a vida política, como meus avós viram, não sabia que o caminhante de Diamantina se tornaria fenômeno político nacional para a eternidade, mas desde o início já o viu como homem fadado a grandes obras.

O binômio “energia e transporte” significava conhecer, interiorizar, dinamizar e humanizar um Brasil praticamente litorâneo, que pouco ou nada sabia de suas terras internas. Nossa população, até a metade dos anos 1950, era majoritariamente costeira. Minas Gerais era a exceção de terras internas ocupadas e, ainda assim, com relativamente baixa densidade. O Brasil havia passado pelo surto de industrialização getulista, que não permitiu olhar para o interior profundo de nosso país, mergulhou naquilo que se chamou de “mar de lama”, a corrupção desenfreada, e que Carlos Lacerda denunciou fervorosamente na tribuna e na imprensa nacional. Era necessário abrir uma nova página desenvolvimentista e Juscelino enfrentou o desafio.

Brasília foi sua obra mais notável, mais evidente no cenário político e no horizonte de um até então desconhecido planalto central, mas sus realizações não podem ser resumidas à enormidade desse desafio. Ele fez o Brasil olhar para dentro de si e conhecer suas entranhas, conhecer e divulgar suas potencialidades, explorar economicamente o que estava oculto do mundo. A redescoberta do Brasil pelos brasileiros foi, com certeza, a obra maior de Juscelino, a de mais profundas, consistentes e perenes efeitos. Afinal, filosoficamente, quem não se conhece não realiza senão fração diminuta de tudo aquilo que tem ao dispor pela natureza que, no caso brasileiro, foi pródiga em nos concer riquezas inexistentes na maior parte do globo terrestre.

A missão do estadista está não apenas em relações exteriores, não apenas no ranqueamento das democracias, no bem-estar da população, na busca de prestação e de eficiência dos serviços públicos essenciais, como segurança, saúde e educação, na dinamização dos agentes econômicos, em organizar a vida política, em proporcionar legislação que faça melhor a convivência entre nacionais, em atrair capitais que não sejam voláteis, mas para investimentos em infraestrutura e em negócios apontados para o futuro. A missão do estadista, talvez a maior e a menos praticada na história do Brasil, está em construir dignidade e orgulho de ser brasileiro, sem distinção de classe social, idade, sexo, etnia, cultura, filosofia política, sem desfazer a união que deve existir entre os filhos de uma pátria cultuada nas emoções e nas razões de um povo alegre e feliz por existir.

Juscelino Kubitschek foi o último presidente que alcançou o lugar de solidez pulsante no vasto coração brasileiro e os 50 anos de sua morte devem servir de lembranças aos mais novos, para que saibam que a imensidão de nosso país é o berço de um porvir de esperanças, realizações, união e dignidade para todos!

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