Mentiras
O escritor ficcionista mente, e o faz tão habitualmente quanto é possível mentir para fazer do leitor um crente. Mas o leitor também mente, quando diz parta si e convincentemente, que entende o que leu apressadamente.
O escritor ficcionista mente, e o faz tão habitualmente quanto é possível mentir para fazer do leitor um crente. Mas o leitor também mente, quando diz parta si e convincentemente, que entende o que leu apressadamente.
Se não olho em meus olhos para conhecer essa alma que empresta atributos morais à imagem que fazem de mim, a idealização desses olhos para dedicada autopercepção ocorre através da criação de algum corpo imaginário, que transformará em ícone, ou em fantasma de mim.
A angústia da busca pelo improvável diz parte de quem sou, mas não me faz inteiro. A felicidade, essa ausência curiosa que se faz presente na saudade de um tempo remoto que se só se experimenta por um instante, não me diz quem sou, apenas me angustia pelo que busco e perco no instante que
Volto meu rosto e um passado me abraça com tudo que contém, com quase nada que retenho, para repetir ao presente a jura de tornar-me ausente, de jamais retornar e de mentir a cada palavra solene. Trapaça é esporte que se pratica no dia a dia, para esquecer a dor precedente e temer que tudo
Minha exclusão é minha solidão, o indecifrável interior que deve permanecer inacessível, se quiser me manter, como a consciência recomenda e a inconsciência assegura. Sou indecifrável perante mim e me regozijo. Como uma mosca presa na garrafa, vejo o mundo sem poder tocar, sou um admirador da maravilha que vejo sem experimentar e morrerei sem
A estrada foi generosa. No percurso, ao calor de fevereiro, me permitiu contemplar, sem propósito, uma vida. Destino algum havia, mas aprendi sobre mim e me permiti retornar. Posso agora, com sentimento verdadeiro, me exasperar por todo mal que fiz e represento. Posso dormir contra o vento. Foi o melhor da viagem: desintegrar-me no tempo.
Não se atente ao dizer ou ao dito, mas ao sentido, se sua disposição não é repetir, mas haver compreendido.
A cidade nasceu do cruzamento dos olhos seus com os meus. Até aquele tão próximo passado instante, andava pelas ruas, sombrio expectador de calçadas e de pessoas, asfalto e carros, prédios que se ombreavam disputando o sol das janelas para suas samambaias. Espadas de São Jorge e Não Me Toques eram comuns, superstições de um
É vida o que se escolhe, o que é motivo. A balada que sustenta o poeta sustenta o admirador, mesmo a morte, se é ela quem lhe dá sentido. Nos longes de sua imaginação poética estou à vontade e refeito do quanto morro a cada dia, do quanto testemunham essas retinas cansadas. Amar, verbo em
35 anos sem Drummond Read More »