Poemas

Vício e Purificação

Na praça, para onde confluem paraíso e inferno,tem seu trono um deus antropomorfo,concebido sob medida para nossa crençavaidosa em importância universal da criaçãoem um ponto obscuro do universo. Narcisistas, recebemos e doamos,sempre fazendo da praça nosso mercadode oferendas expostas à procura gananciosa,como paraíso e inferno em reservados lugaresde onde se entreolham e admiram.Cada qual capta […]

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Tempo

Divido cores e texturas,sabores da suavidade,fibras que submeto ao cardo,olhos que testemunham,as transformações do corpo. Digo que a fruta verde é travosa,que mãos exigidas são calosas,que o olhar muda conforme a experiência. Nada faço que não seja para mim,mas digo que a natureza proporcionao que o tato e o canto afinamao toque e aos ouvidos.

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Confissão

Sempre guardei a capacidade de reservar,de voar, absorver tudo de male uma vida em aporia.Sei que com isso me coloquei vulnerávela todos que digam que passei meus dias em fuga,que deixei a amada a descoberto de proximidade e companhia,senão em momentos esparsos,no intervalo de algum dia. Sou o que dizem, pensam ou interpretam de mim,que

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Renovação

Tudo no mundo acontecena velocidade humanamente pretendida,menos o amor das mães pelos filhos. Todos os homens fazem,com pressa ou vagar,no limite da exigência ou da experiênciado que se deseja sondar,menos estar ao lado da mulher cobiçada e amar. Homens amam mulheres, que amam seus filhos.Mulheres choram por filhos, que deixaram suas casaspor amar outras mulheres,

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Palavras do vento

Do alto da serra,gritei e não havia ninguém para ouvir,somente o vento batendo nas folhase nos troncos das árvorese respondendo para mim.Gritei novamente,tentando retribuir,e não havia ninguém para ouvir,somente os bichos seguindo suas vidas,independentes de mim. Mergulhei em um lagoe o silêncio tomou conta de mim,não havia ninguém por testemunhae senti que poderia morrer em

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Ismália

Vivi meu tempo de ser como Ismália,olhando duas luas, uma no céue outra, lânguida, espalhada pelo rio São Francisco. Nessa vida, nasci em Matias Cardosoe escrevia em Januária,havia o sobrado dos Normanhae uma ligação subterrânea com a Matriz de Nossa Senhora da Conceição,tudo como uma agradável ficção. Escrevia como Alphonsus de Guimaraens,mas minha vida não

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Raro

Como é raro esse sorriso,essa arte dos seus paisque não há quem repitae nem acidente que edite. Como é rara a pessoa,que não há no universooutra terra que abrigue,outro sol que ilumine. Como é raro o que se estendee entende os confins do que existee forma uma discreta mensagem. Nada que tenha valor, tudo tão

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