Na praça, para onde confluem paraíso e inferno,
tem seu trono um deus antropomorfo,
concebido sob medida para nossa crença
vaidosa em importância universal da criação
em um ponto obscuro do universo.
Narcisistas, recebemos e doamos,
sempre fazendo da praça nosso mercado
de oferendas expostas à procura gananciosa,
como paraíso e inferno em reservados lugares
de onde se entreolham e admiram.
Cada qual capta e entrega,
do outro e de si, no acomodado passeio
entre o vício e a purificação.
Consola o coração adoentado,
da humanidade cheia de si,
o deus antropomorfo que idealizou.
Tudo compõe o acervo que respira
e transpira trocas em câmaras ocultas
de inebriada satisfação.