Abandono
Eu, que nem sou mais o mesmo, vivo da alcunha do que dizem que sou ou do que me desentendo por ignorar. Seu olhar me salva do mundo, durmo o sono daqueles que se vão por gosto, sabendo que o provável é não tornar.
Eu, que nem sou mais o mesmo, vivo da alcunha do que dizem que sou ou do que me desentendo por ignorar. Seu olhar me salva do mundo, durmo o sono daqueles que se vão por gosto, sabendo que o provável é não tornar.
Em Pascal e Valéry, primeira visão do abismo. Horror no timorato, coragem ao desafio. Queria subir aos céus, queria transpor o mar. Temor e busca de anjos e de Deus. Coragem, coração, enfrentar os seus. Com Pascal, subiu aos céus; com Valéry, transpôs o mar. Lua e sol brilharam, noite e dia revelaram. Pálido, o
Ela disse estar bem e eu queria saber mais. O que é estar bem, se não estou ao seu lado? Ela disse que realizou um sonho e eu queria ser parte do momento. O que é realizar um sonho, se seu corpo não é por mim tocado? Sua casa fora de mim não é a
É chegado o momento em que nada mais é desejo, senão a morte. Que a morte seja bela e singela, sem prolongamentos ou espera, arrebatadora ou calma, mas que me venha, sorridente, abraçar no calor de uma noite de verão. Desejo a morte por saudade, desejo a morte por contrição, desejo a morte para resolução
Vão chegando as nove horas. Não sei por que ainda vivo. Sou eu que me mantenho vivo ou me renovo fora de controle? Morte sob águas, onde a vida teve início, seria um fim ou um recomeço? “Temor mortis” ou “amor mortis”, uma indecisão do intérprete, não de Hart Crane, não do espírito do poeta.
O espírito do poeta Read More »
Não cometamos o segundo pecado de culpar a moça bela por nossa infelicidade. Culpando-a, novamente sacrificamos por nossos fracassos. Não façamos isso novamente. O velho é o ramo que o jardineiro fana do limite mortal arrancado, à eternidade é lançado. Já nem homem, nem imagem ou agrado, apenas sangue e lama, caixão pranteado, agonia de
Minha querida, afasta de mim o seu amor que para ele ofereço, como presente, apenas o pior: dos olhares transeuntes, a mudez da reprovação, dos filhos e dos circunstantes, advertência e condenação. O que ofereço é morte de baixo custo, vida inglória, de sede e fome, sem paradeiro, coisa que se vê apenas no cancioneiro,
O amor que ofereço Read More »
O Rio sempre teve múltiplas cores, mas as de Rugendas são as que mais me impressionam, pela realidade e pela fantasia, sentimentos puros e elaborados, rural e urbano nascente, como sua roupa de praia sugerindo que a desvende. Um tom jamais vivo como Kandinsky, mas algo que imagino entre a areia e o mar, penetrando
É promessa que faço, minha Flor, pequena esperança brotada em amor, o retorno ao lugar onde se sinta bem, pátria dos seus sonhos de menina. A distância dos mais secretos quereres concebe conciliação resiliente, de saberes que sua tenra idade surpreende em conhecer e me despedaço por nunca poder agradecer. Bem sei as dificuldades de
Deveria ter morrido há trinta ou quarenta anos, quando a vida era saborosa e cada experiência, uma novidade. Deveria ter morrido quando a vida era desimportante, quando o heroísmo era cotidiano, a violência, atroz, e contestávamos o governo que nossos pais construíram. Deveria ter morrido quando ainda valia a pena e a revolta era o
Há trinta ou quarenta anos Read More »