Certos amores são assim, extemporâneos,
a impressão é de ter nascido fora de época,
cedo demais ou muito tarde para viver
a experiência doce de um amor assim,
com a impressão de estar a um passo de perder.
Mas amores feitos de linho não se perdem,
estorvam, se não são compreendidos
e vividos no limite do corpo,
um talhe destoante,
se nos olhos não há paixão.
Quem nasceu cedo demais deve ler os corpos
e ter a contemplação da pessoa amada
no sexo prazenteiro de sabedoria,
delicado como reflorescimento inesperado,
que flui como ensinamento
a quem nasceu muito tarde
e não tem nesse amor a possibilidade,
com a alegria de sua juventude,
de ser arroubo sem plenitude.